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Cobrança por Metas na Caixa Prejudica o Atendimento Em Tempo de Pandemia

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- “Durante a pandemia, nenhum empregado será cobrado por meta”. Essa frase deu aos empregados da CAIXA, no início da pandemia, a certeza de que poderiam se dedicar de corpo e alma a uma das causas mais nobres dos últimos tempos: a de contribuir para que a comida chegasse à mesa de milhões de brasileiros desamparados pela crise, através do atendimento e pagamento aos beneficiários do Auxílio Emergencial, além de outros serviços essenciais.

            Desde então, as grandes filas e as aglomerações nas unidades da CAIXA se agravaram e chamaram a atenção das autoridades e da sociedade. No olho do furacão estavam os funcionários da CAIXA, chamados pela empresa de “heróis de crachá”, que tinham que administrar tamanho problema, colocando a sua saúde e a sua própria vida em risco.

            Os “heróis de crachá”, na verdade, são pessoas, humanas, com sentimentos, dores e sofrimentos. Como seres humanos, e não como “heróis de crachá”, eles adoeceram, diante de uma jornada imensamente desgastante, que incluía até o trabalho aos sábados (um dos poucos momentos que tinham para estarem juntos das suas famílias, cuidando e protegendo-as), e da falta de estrutura adequada para o atendimento (principalmente pela deficiência da estrutura de pessoas e problemas no CAIXA TEM).

            No entanto, antes mesmo que se encerrasse o calendário da fase inicial do Auxílio Emergencial, as cobranças por metas já passaram a se intensificar. As metas negociais agora passavam a ser a prioridade da CAIXA. É como se os empregados da CAIXA estivessem vivendo um momento de normalidade, como se o mundo já vivesse o seu novo normal.

            De lá para cá, a situação só tem se agravado. Colegas adoecendo, outros morrendo e a pauta girando em torno do Conquiste (ferramenta de avaliação de desempenho).

            Sabe aquela frase lá do início? Ela tinha uma razão de existir. Ela representava o reconhecimento e o respeito da empresa pela dedicação e entrega dos seus funcionários a essa missão tão importante. Essa entrega teve um preço. A insegurança e o medo de se contaminar e contaminar outras pessoas (inclusive suas famílias), exerceu uma pressão psicológica muito grande nos nossos colegas, levando-os ao adoecimento. Outros adoeceram pelo próprio vírus e alguns, infelizmente, perderam a sua vida.

            A realidade, infelizmente é outra, diferente da mensagem daquela frase. Os relatos são de cobranças incisivas por metas, punição a colegas que não cumprem os seus objetivos, exposição dos colegas em virtude de resultados, além da aplicação do MO21182 (aquele da quebra de fidúcia).

            Além de todos os problemas aqui relatados, a tecnologia da CAIXA parece que resolveu trabalhar contra a empresa. São inúmeros problemas, nos mais diversos sistemas, impactando negativamente interna e externamente.

            Agora está chegando o momento de mais um grande desafio. A chegada da segunda fase do Auxílio Emergencial coloca os funcionários à frente de mais uma grande missão. Apesar dos avanços em relação à primeira fase, quando o CAIXA TEM estava sendo gerado, inevitavelmente as grandes filas se formarão novamente e as aglomerações nas nossas unidades ocuparão páginas dos jornais e as telas dos telejornais.

            Ainda temos um outro agravante: se no atendimento do Auxílio Emergencial, em sua primeira fase, os funcionários da CAIXA estavam inteiros (embora assustados com o quadro da pandemia), agora enfrentarão esse novo desafio sob o impacto de uma jornada desgastante, às vezes desumana, e parte deles adoecidos.

            É preciso levar tudo isso em consideração. Aquela frase lá do início precisa prevalecer, de fato, nesse momento. É fundamental que sejam dadas as condições necessárias para que os funcionários da CAIXA cumpram, mais uma vez, essa missão com dignidade e zelo.

            Por isso, se fazem necessários a suspensão das cobranças incisivas por metas, e a não aplicação de uma política de consequências em função delas, além de uma jornada que não os leve ao esgotamento físico e mental e ao adoecimento, e a inclusão da categoria no Programa de Imunização contra O COVID, entre os grupos prioritários. Melhorar a estrutura do atendimento presencial também é primordial.

             A CAIXA terá a oportunidade, mais uma vez, de fazer história, com o novo calendário. Essa história precisa ser contada, principalmente, com destaque para o cuidado e o zelo com as pessoas.

           

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